DISCURSO DO SG TSD PEDRO ROQUE NA CERIMÓNIA DOS 30 ANOS DA ESTRUTURA


Todavia, longe da ilicitude, a criação dos TSD – Trabalhadores Social-Democratas, foi um gesto generoso e virtuoso de mulheres e homens, para quem os ideais da social-democracia e do sindicalismo livre e democrático se constituíram como a pedra de toque da sua participação cívica e da sua atuação política dentro e fora do Partido Social Democrata.

Deste modo, longe de regressarmos, ainda que de modo simbólico, ao local do crime, estamos aqui de novo, no Vimeiro, sede da fundação da estrutura mas também um sítio onde a memória da portugalidade está ainda bem viva.

É que, se o local é histórico para os Trabalhadores Social- Democratas não o é menos para Portugal já que foi nesta área que soubemos fazer das fraquezas-força e levar de vencida, no início do séc. XIX, um exército ocupante superior em número e em poder.

Mas afinal Portugal é isso mesmo: quando nos unimos somos capazes de vencer todos os desafios por maiores que sejam ou mais intransponíveis que se nos afigurem.

Por tudo isso aqui regressamos hoje, porque acreditamos que a História merece ser vivida no Presente e porque só ela nos pode guiar no Futuro.

Tal é válido para esta estrutura mas também para o país.


Caro companheiro Pedro Passos Coelho,

Os TSD – Trabalhadores Social-Democratas são a estrutura autónoma do PSD para o mundo laboral e para o movimento sindical. Como vê nesta sala, o Partido tem todas as razões do mundo para se orgulhar deste conjunto de pessoas que são também, maioritariamente, militantes do PSD.

A nossa implantação no movimento sindical é tradicionalmente muito forte o que, aliada à característica interclassista do Partido Social-Democrata, faz com que, este, se possa orgulhar de ser genuinamente um Partido de Trabalhadores.

Como nos disse um dia Francisco Sá Carneiro: "Não aceitamos trabalhadores encartados, que nem sequer trabalham mas enchem a boca em seu nome. Aceitamos sim todos os que em silêncio e de mãos calejadas angariam o seu sustento. Nessa exata medida, somos o partido dos trabalhadores. "

Muitas vezes nós, social-democratas, temos tendência para olvidar este facto. Outras forças políticas são muito menos representativas social e eleitoralmente mas atrevem afirmar-se como os porta-vozes dos trabalhadores e do mundo do trabalho.

Porém, que ninguém se iluda: Portugal é um país de Trabalho e os portugueses são maioritariamente trabalhadores.

Consequentemente o Partido Social-Democrata, enquanto mais relevante força política no nosso país constitui-se como o maior partido de trabalhadores em Portugal e deve pautar, mais do que o seu discurso, a sua ação, para a defesa do valor e da dignidade do trabalho e conduzir as políticas financeiras, económicas e sociais, respetivamente, no sentido do equilíbrio das contas públicas, da sustentabilidade da economia e, como fim último, da redistribuição da riqueza no sentido de uma sociedade mais justa e solidária e de um Portugal maior.

Aqui somos todos, ou quase todos, do Partido Social Democrata. Mas sentimos o PSD de um modo muito especial – fundamentalmente como um Partido que, não sendo de esquerda, também está longe de ser de direita!

E, de novo, reafirmamos a seguinte premissa: os Trabalhadores Social-Democratas orgulham-se de se considerarem os fiéis depositários do ideário social-democrata deste Partido e do espírito fundador de Francisco Sá Carneiro que acredita no primado da pessoa humana e se afasta dos extremismos, quer dos projetos coletivistas e estatizantes que a História acabou por derrotar quer, por outro lado, de um capitalismo selvagem, sem regras e sem respeito, nem pelo fator trabalho, nem pelo ser humano.

Procuramos, na nossa relação com o Partido, reforçar a nossa autonomia para potenciar a força da nossa mensagem social e queremos reafirmar ao Partido Social Democrata que o mundo laboral e as questões sociais são o nosso campo de atuação política por excelência e o PSD sabe, por experiência própria, que tem toda a vantagem em nos escutar e em ampliar a nossa mensagem nesse campo de atuação tão importante e decisivo.

Não obstante, sabemos ser solidários com o Partido, contribuímos e contribuiremos, com o nosso empenho, para cimentar o seu projeto para a sociedade portuguesa, rumo a um país mais desenvolvido, justo e solidário.


Caro companheiro Pedro Passos Coelho,

É nesse sentido precisamente que o momento histórico que o país ainda vive nos deve fazer refletir e canalizar as nossas melhores energias, em nome de Portugal.

As presentes e difíceis circunstâncias foram motivadas pela crise do sub-prime, que teve o seu início nos Estados Unidos em 2008, que foi cumulada pela crise das dívidas soberanas da zona euro mas, sobretudo, que foi forte e inexoravelmente ampliada por governações irrefletidas que não tiveram em conta a devida adequação da despesa pública à receita fiscal gerada, nem as políticas de investimento público aos critérios de custo-benefício e que precipitaram o incumprimento do Estado em 2011 e a necessidade incontornável de um bailout internacional.

A situação que ainda vivemos afigurou-se, provavelmente, como a principal crise económica e financeira que Portugal conheceu desde a bancarrota de 1892.

O pedido de resgate internacional foi consubstanciado num Programa de Assistência Económica e Financeira com um montante substancialmente elevado (de que curiosamente pouco se fala mas que é equivalente a dois quintos do PIB português), um prazo demasiado apertado (três anos) e um Memorando de Entendimento muitas vezes desajustado da realidade e cuja verificação e renegociação trimestral se tem revelado como muito difícil e exigente.

Tais circunstâncias levaram a que, a governação que se seguiu à contratualização deste Programa e às últimas eleições legislativas e pela qual o Partido Social Democrata é o principal responsável, se tenha tornado numa missão espinhosa do ponto de vista político, económico e social, implicando um forte reajustamento em contraciclo e tenha, inevitavelmente, acarretado incontáveis dificuldades a todos os níveis: recessão económica, redução generalizada do rendimento disponível das famílias e das empresas, fenómenos de emigração, reestruturações e falências e,  sobretudo, um crescimento forte do flagelo social do desemprego.

Mais de dois anos volvidos o calvário ainda prossegue. Todavia, de há poucos meses a esta parte, os esforços parecem começar a compensar e o país parece finalmente renascer das suas próprias cinzas graças aos esforços coletivos dos portugueses.

De facto, ainda que tenuemente, os principais indicadores macroeconómicos recuperam de uma longa letargia e de incontáveis más-notícias anteriores. O próprio desemprego, paulatinamente, vai recuando embora encontrando-se ainda a níveis historicamente elevados.

Assim, neste início de 2014, a poucos meses do final do Programa, os indicadores permitem algum otimismo e o afastar do espetro de um segundo resgate.

Todavia é importante que o aspeto nominal se transforme, tão rápido quanto possível, em benefícios reais para os portugueses, mormente os trabalhadores, que têm sido chamados a imensos sacrifícios para que o país pudesse sair da dificílima situação em que mergulhou.

O Cabo das Tormentas não está ainda dobrado, é certo, todavia os sinais são encorajadores mas, ainda assim, não alinhamos na bolsa de apostas acerca de como sairemos do Programa e regressaremos ao financiamento em mercado, isto é, com ou sem programa cautelar.

Apenas exortamos o Governo a que tenha, sempre, em linha de conta aquilo que é melhor para Portugal com base na análise objetiva dos dados disponíveis e das perspetivas de futuro em espírito de diálogo e de concertação, mas sem se deixar influenciar pelo discurso político de circunstância ou pelo exemplo deste ou daquele país resgatado.

É precisamente em nome dos trabalhadores que dizemos, isso sim, que não queremos novos incumprimentos, nem novos resgates. O que queremos é um país desenvolvido em termos económico-sociais e que a condução das finanças públicas, doravante, seja criteriosa em nome do futuro, em nome de Portugal.


Caro companheiro Pedro Passos Coelho,

Desde a sua criação, neste local e há 30 anos, a implantação dos TSD - Trabalhadores Social Democratas no movimento sindical é tradicionalmente muito forte o que, aliado à característica interclassista do PSD, faz com que a nossa presença no mundo sindical assente em dois pilares essenciais:

Por um lado, mais importante e visível, a nossa participação nuclear na UGT – União Geral de Trabalhadores. Somos, inequivocamente, pela manutenção e reforço deste projeto sindical. Orgulhamo-nos de termos ajudado a criar, construir, crescer e credibilizar a UGT tornando-a no incontornável e responsável parceiro social que é hoje.

Por outro lado, também é relevante a implantação que os TSD têm no seio do chamado movimento sindical independente, isto sem esquecer as Comissões de Trabalhadores onde também a nossa participação se faz sentir.

Não obstante, os TSD- Trabalhadores Social-Democratas não esgotam a sua intervenção no movimento sindical. Privilegiamos um discurso dirigido diretamente à sociedade e aos inúmeros problemas que a afetam num período de crise social, económica e financeira.

Procuramos influenciar o Partido Social Democrata no sentido de dirigir a sua ação política para as necessidades dos socialmente mais desfavorecidos – os que não têm emprego, as comunidades imigrantes ou os que são atingidos pela precariedade e por formas contratuais que não configuram um trabalho digno.


Caro Companheiro Pedro Passos Coelho

Cumpriram-se, na passada quarta-feira, 30 anos de história dos TSD - Trabalhadores Social-Democratas, estrutura que pela sua especificidade e atividade, com origem nos Sócio-Profissionais e nos TESIRESD (Tendência Sindical Reformista Social Democrata), alcançou a sua autonomia em 8 de Janeiro de 1984 neste mesmo local.

Ao longo deste tempo foram vários os atores que preencheram o protagonismo desta estrutura, companheiras e companheiros que a ergueram e cimentaram um projeto de sindicalismo livre e democrático que, ao longo destes anos, sempre conseguiu influenciar o Partido, o Movimento Sindical e a própria Sociedade Portuguesa, assente nos princípios da independência sindical.

(pausa)

Parabéns a todos os que construíram esta estrutura, que a têm sabido manter viva e atuante e que, no futuro, continuarão a mantê-la essencial num Partido que é Social-Democrata.


Bem haja!

VIVA O TRABALHO

VIVAM OS TSD

VIVA PORTUGAL

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